I write about you everyday.

type us

Às vezes me sinto perturbada por todo esse amor que sinto por você, e a saudades dói. Pois lembro que esse amor tão presente, que é sempre tão forte, não está aqui.

Confio em nós sem pestanejar, mesmo sem saber o que realmente irá acontecer, acredito no encontro de almas. E nós já nos trombamos por ai.

Também sei que não é por agora que nossos caminhos voltarão a cruzar. Perdi-me de mim e estou a me buscar, assim como desconheço quem te tornou. Talvez o cosmos esteja esperando eu entender quem me tornei para poder te conhecer novamente.

Ou talvez, eu esteja esperando você me encontrar.

E do nada, um reencontro será apenas um encontro. Como se aquilo que passou fosse uma vida passada, e o agora seja novo, mas com a certeza que já nos amamos antes de saber que era amor.

Tão morta por dentro.

dead inside

Ela caminha por ai com os cabelo ao vento, o passo pesado e os olhar sem vida.

Ela não sabe por onde caminhar, mas continua andando. Quem sabe lá na frente encontre respostas.

Quem diria que Ela não saberia o que fazer?

Todos os dias é a mesma luta contra seu coração e sua intuição. Ela só quer morrer, mas deixar tudo agora significa perder a melhor parte lá na frente.

Esse caminho está tão longo, talvez o coração não aguente.

A vida não tem mais graça. Ele sugou toda alegria que havia nela.

Ele levou tudo. A alma, o coração e a vontade. Nada mais faz sentido.

Viver em um mundo em que até quem Ela ama é cruel, não vale a pena.

Então Ela está tentando construir um mundo dentro de si.

Quem sabe assim consiga levar mais um tempo por aqui.

 

Life works in some mysterious ways.

cute

O wordpress está aberto há quase 7 horas. Tudo o que quero dizer já foi escrito de várias formas e tons, mas tudo foi pro lixo. Já comentei que vivo uma fase de mudanças internas e a reflexão é constante. Tudo em mim está tão mutável que as ideias se confundem.

A fase é de mudança e o desejo é de estabilidade. Fiquei perturbada tentando conciliar os dois sentimentos, mas enfim encontrei o ponto de encontro. O que está mudando é o emocional e a visão sobre a vida. A estabilidade é sobre o cotidiano, é físico. É para poder internamente me encontrar.

Foi refletindo sobre alguém que amo e me preocupo muito, porém não está mais ao meu lado, que percebi que somos tão parecidos e conectados que estamos passando pelas mesmas mudanças. Mas um não lida bem com a do outro, um não CONSEGUE lidar com outra mudança, pois precisa cuidar de si.  ELE percebeu antes de mim e foi cuidar da alma da maneira que podia.

Entendi agora: é preciso deixar o ciclo fluir. Não há como acelerar ou retardar. No momento nada mais importa, é preciso cuidar de si e da alma. Mesmo que seja na simplicidade e apenas repousando.

Nessa vida moderna, capitalista e acelerada, somos instigados à procurar mudanças que nos levem sempre para frente o mais rápido possível. Contudo, é só quem já chegou na extremidade do fim do poço que sabe: as vezes, é melhor estar estagnado em uma situação confortável que sofrer tentando avançar. A luta do dia a dia é cansativa, e lidar com os próprios pensamentos e coração é difícil.

Então percebi que para no futuro conseguir avançar, agora preciso recuar. E isso se aplica a tudo. Eu preciso viver como antes com a experiência do agora. Apenas por um tempo até ter estabilidade emocional e força para enfrentar uma nova empreitada.

Sempre me orgulhei de ter certeza das coisas que quero na vida e focar em realizá-las. Mas o momento é do mantra que me trouxe até aqui viva e lutando pela felicidade. O momento é daquele episódio dos Ursinhos Carinhosos de onde tirei o maior ensinamento da vida. “Devagar e sempre”. E mais que nunca eu preciso ir… devagar e sempre.

Procurar um abrigo confortável para viver uma temporada, não significa deixar meus planos para trás. Significa que preciso de um cotidiano simples para respirar. E então, na calma continuar com os planos.

Foi reconfortante perceber minha própria vida com novos olhos. E foi calmante entender que ELE sacou isso antes. Eu preciso acalmar meu coração e me preparar. Não são todas as pessoas que conseguem correr sem pausar. Às vezes, tudo que precisamos é aquela paradinha pra respirar, tomar uma água e olhar bem pro caminho. Perceber tudo o que passou e agradecer. Respirar novamente e voltar para a rota caminhando para poder apreciar cada momento. O parar é necessário para mudar o olhar, o parar é preciso para ver o que realmente importa.

Nunca fui ingrata, muito pelo contrário. Sempre ressaltei a sorte de ser quem sou e ter quem tenho ao meu redor. Mas me faltava entender como e porquê certas coisas aconteceram na minha vida. E cada segundo entendo melhor o significado de GRATIDÃO.

E é por ser grata pela minha vida como ela é que preciso parar de correr agora. Sem mais análises e questionamentos. Apenas parar e protagonizar uma rotina simples, sem anseios ou ambições.

Eu preciso acalmar meu coração.

 

 

REBORN.

“Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos.” (C. Lispector)

bird heart

 

O mundo gira 365 dias em sua órbita. Os dias têm 24 horas. Os segundos passam a cada instante, então por que é tão difícil aceitar que nada mais será como foi? Por que é tão difícil ver a mudança acontecer em todos os lugares, inclusive aqui dentro, na alma?

As mudanças, as quebras e o novo, são provavelmente o que mais me apavora na vida. É diante do nada que sempre me pego sem saber o que fazer. E lidar comigo nos momentos de crise têm sido cada vez mais difícil para os próximos, porém cada vez mais esclarecedor para mim. Eu estou deixando minha emoções chegarem à flor da pele e me dominarem pelo tempo que elas precisarem para me mostrar o que há para entender.

Eu sofro ao ver que coisas que nunca imaginei estão acontecendo e deixando bem claro que o mundo gira, e as horas passam. É necessário ter uma significativa sensibilidade para lidar com certas situações e momentos daqueles que queremos bem. Mas isso precisa ser recíproco, pois “fazer bem sem olhar à quem” funciona se realmente conseguirmos ver a vida com todos os seus lados.

Não queria me decepcionar, mas nesse giro da Terra que não podemos coibir, coisas acontecem e almas se desprendem. E as vezes o que muda é apenas o olhar. Viver e crescer não é apenas uma condição, é uma viagem. As experiências do dia a dia modificam a visão sobre o próximo. E eu não posso me envergonhar de ter mudado, não posso pedir desculpas por agora ser diferente. Eu preciso me conhecer e aceitar essa nova pessoa em mim.

Hoje, eu não me calo em frente à algo que não acredito, não reprimo nenhuma emoção e em hipótese nenhuma finjo estar bem se não estou. E é dessa maneira que percebo quem está sempre ao meu lado. É assim que vejo quem realmente merece todo o meu carinho.

Hoje, eu não me calo mais diante das preconcepções fomentadas por livros de auto ajuda sobre relacionamentos. Pois não existe uma fórmula, existe honestidade, respeito, confiança e amor. De resto, cada um deve perceber como seu coração funciona e apenas acreditar que ele vai te levar ao lugar certo. Conselhos superficiais vêm de corações frustrados ou rasos. Logo, é melhor o silêncio.

Hoje, eu não me calo sobre o que está acontecendo aqui dentro, eu não finjo que estou bem porquê não estou. Mas eu preciso acompanhar o tempo, então todos os dias eu levanto mesmo com a dor, e procuro em mim forças para resolver o que está ao meu alcance.

Aos poucos eu consigo observar todas as mudanças. E como o mundo cruza e descruza caminhos de acordo com o tempo que lhe convém.

 

Eu morri.

não sou mais

Dizem que todos morremos aos 27 anos. Que as dores de existir batem tão profundamente que alguns não aguentam e partem. Outros, precisam se reencontrar.

Aos 27 eu estava muito ocupada realizando uns dos maiores sonhos da minha vida e não consegui dar atenção ao que estava acontecendo. Mas quase no final, a morte me atingiu e mostrou que eu não estava imune ao ciclo.

Eu morri.

Ali, em meio as árvores que tanto sonhei, estava eu. Deitada e imóvel à dor de viver, de ser e de sentir. Com muito carinho e amor de alguns que me querem bem, eu levantei para continuar o que precisava. Mas eu nunca mais fui a mesma.

A dor de estar perdida, machucada e profundamente magoada não passou e agora preciso descobrir como renascer.

“Cai 7 vezes e levantei 8.”

Porém, levantar está difícil. Eu não sei mais quem sou ou para onde devo caminhar.

Procurei tudo que já me vez bem, tudo que já me puxou para a luz. Mas nada parece funcionar. Então espero.

Espero que a dor se vá, que a resposta apareça e eu descubra debaixo de toda essa tristeza, quem agora sou.

Cansada.

nothing

Estou exausta da vida.

Após um ano longe de casa eu posso confirmar que sou uma pessoa completamente diferente. Não por clichês de maturidade, independência e experiência, mas porque algo no universo aconteceu e eu mudei. Não reconheço mais aquela Ana que chegou no Canadá há um ano atrás. Temos muito em comum e compartilhamos vários valores, contudo somos água e vinho.

Minha paciência com a forma que muitos me tratam acabou e eu estou cansada de várias situações. Talvez você sinta que estou diferente e não reconheça sua amiga em mim, e talvez você esteja certo. Por muitos anos eu tentei desenvolver o desapego. Era um trabalho interno árduo e difícil. Então um dia a vida me abalou e me mostrou que não existia um caminho à ele, um dia você leva um choque e quando acorda ele está lá.

Eu cansei de colocar os problemas dos outros na frente dos meus. Eu cansei de me importar. Trato o próximo exatamente como ele me trata. E isso pode não parecer minha personalidade e sim uma escolha, porém tornou-se quem eu sou. Minha característica de abraçar todos e extender a mão foi retraída pela falta de consideração. Se um dia voltarei a ser quem era é uma dúvida que permanecerá.

É difícil sentir essa mudança. É difícil perceber que me tornei uma pessoa à quem nem eu conheço direito.  Estou tentando lidar comigo mesma quando não sei exatamente quem sou. Estou em fase de descobrimento dessa pessoa que está de saco cheio e procura pelo novo. Estou à procura de sentimentos que não consigo mais ter.

Estou tentando achar partes perdidas do meu coração.

Vinte e oito.

vinte e oito

Hoje é o primeiro aniversário que passo longe de casa. A primeira vez que não acordarei com meus pais gritando e me abraçando ao me acordar. Hoje é também aquele dia do ano que relembro tudo que já passou e penso em como as coisas aconteceram.

Vinte e oito nunca foi uma idade que imaginei ter, assim como nenhuma idade após os 18. E talvez por isso essa seja minha melhor década vivida. Eu me desprendi de planos obcecados e determinei objetivos a longo prazo que gostaria de cumprir. Hoje, sou feliz em dizer que risquei vários desses objetivos da lista e continuo caminhando.

Mas é por ter conseguido tanto que sempre paro para pensar como isso aconteceu. Como eu consegui tudo isso? Eu nasci sabendo que nada viria fácil na minha vida. Eu tive noção do que era ter problemas financeiros muito cedo e mesmo assim eu nunca quis lutar apenas pelo dinheiro. Eu vi e passei por situações enquanto crescia que ninguém deveria passar. Eu soube o que era a tristeza antes de saber ler e escrever. Mas foi também muito cedo que eu descobri o que era o sonhar.

Foi aos 4 anos, no tapete da sala em frente à uma televisão em uma armário de madeira que eu descobri que aquilo me fazia feliz. Que aquilo me transportava do meu caos para os meus sonhos. E eu queria poder fazer isso por outras pessoas também.

Mas como essa menina de Interlagos que contava moedas pra alugar fitas VHS faria isso? Como eu faria faculdade? Como eu faria cinema? Como eu consegui?

Ontem comprei 3 sapatos e lembrei de quando tinha o tênis de ir pra escola e o de sair. E só. Lembrei também que felizmente eu não me importava e vivia feliz assim. Quando abro meu armário e as roupas caem em mim por não caberem mais, lembro de quando tinha 3 mudas de roupa e não me importava. Ainda bem que essa coisa de vaidade só bateu depois dos 20. E ainda bem que após os 20 eu já trabalhava.

Ainda bem que bolsas escolares e financiamento estudantis existem e meu irmão também. Ainda bem que apesar de encher meu saco, ele sempre me ajudou. Ainda bem que eu tenho os melhores pais do mundo.

Ainda bem por aquele dia na estação Pinheiros quando eu decidi que ia tentar a bolsa pro Canadá mesmo que se ganhasse, não conseguisse ir. E que quando a porta do metrô abriu um moço trombou em mim com uma camiseta de Vancouver.

Ainda bem que eu aprendi que sempre vou cair, mas se eu levantar e sorrir as coisas vão melhorar.

E sim: ainda bem que eu não morri no chão daquele banheiro há 10 anos atrás.