Bio.

happy wall

Uma das minhas tarefas nessas últimas semanas de Pós-graduação é escrever minha biografia. Não aquelas notas pequenas que escrevemos para blogues ou sites de relacionamentos, uma biografia de verdade, dizendo quem eu sou. Foi então que longe de casa há 10 meses, suando embaixo de 30 graus canadenses que me peguei sorrindo. Sorriso sincero e orgulhoso, porque apenas eu sei quem sou, onde nasci, o que vivi e como vim parar aqui. Já escrevi algumas vezes que por muito tempo não acreditei que era verdade, mas hoje perto de me formar eu repenso e confirmo: eu consegui. Eu sonhei, eu quis muito e eu consegui.

Fui criada em uma família tradicional que presa pela educação e sucesso profissional acima de tudo. Meus primos fazem parte da alta classe média paulistana com orgulho. Eles são engenheiros, administradores, empreendedores, médicos, dentistas… Eu nasci com um sonho e um futuro pré determinado que colidiram no momento em que precisei contar qual era minha escolha para prestar vestibular. Eles queriam que eu fosse médica, eu queria contar histórias. Sendo assim: “Eu quero contar histórias, vou fazer cinema.” – “Você vai morrer de fome.” –  “Tudo bem.”  Eu sempre fiz escolhas baseada nos meus sentimentos, pois preciso sorrir diariamente, e é isso que está me levando além.

Dez anos após o vestibular, estou escrevendo de Vancouver, onde moro e faço Pós-graduação em roteiro para cinema e televisão. Uma das melhores coisas que já me aconteceram. Depois de discussões, depressão, blackout e momentos de extrema tristeza, minha família percebeu que não importava o que eu queria fazer da vida, eles não deveriam impor, apenas me apoiar. Então entrei na faculdade e me tornei mais uma endividada no mundo. A faculdade terminei em 2010, o pagamento só termina em 2019. É preciso arriscar para os sonhos se tornarem realidade. Mas a faculdade não era um sonho, contar histórias é. Esse foi só o começo do drama. Foi no meu último ano da faculdade que eu abri meu coração para mim mesma e com medo revelei o que queria fazer.

Pós-graduação ou extensão universitária no exterior. Como e com que dinheiro? Sonhando, perseverando e trabalhando. Em 2012 eu ganhei uma bolsa de estudos parcial para a mesma escola que estou hoje. Incrível seria se ela não fosse parcial e eu não tivesse que transferir 13 mil dólares em uma semana além de ter mais 20 mil para viver um ano no Canadá. Disse obrigada, chorei por semanas e acreditei que nunca mais algo assim aconteceria comigo, a oportunidade passou. Comecei a trabalhar com tudo e qualquer função que aparecia em cinema. Algumas vezes o salário era bom, muitas vezes era péssimo, mas não importava, eu estava trabalhando. Fui guardando dinheiro e me inscrevendo em todas as bolsas de estudos e concursos culturais que apareciam. Em 2013 o festival South By South West lançou um concurso com a Vancouver Film School no qual o vencedor do melhor roteiro e cartas de intenção ganharia uma bolsa total para um ano de Pós-graduação em roteiro. Eu tive 3 semanas para enviar toda a papelada, incluindo provas e certificados que ainda não possuia. Eu corri e fiz tudo completamente desacreditada. Porém eu tinha em mim que precisava tentar tudo que aparecesse porque uma hora ia dar certo… e deu.

Trabalhei por um ano para juntar o dinheiro das despesas. Com medo e apavorada por deixar minha casa pela primeira vez, larguei família, amigos e amor. Faria novamente quantas vezes fosse preciso. Choraria e soluçaria todas aquelas horas no aeroporto de novo. Porque quando enxergamos o que nasce dos nossos objetivos e perseverança a vida faz sentido.

Eu sinto saudades todos os dias da minha vida. Eu sofro e choro de saudades diariamente, e isso não vai passar nunca. Porque agora eu deixarei parte do meu coração aqui com amigos incríveis que cruzaram minha vida. Porque parte de mim voltará para o México, Islândia, Baltimore, Nova Scotia, Saskatchewan, Toronto… E eu estou voltando para um dos melhores lugares do mundo, São Paulo.

A vida ainda não “deu certo”, fazer Pós-graduação não garante sucesso à ninguém. Mas reforçou meus sonhos e minhas ambições. Tenho imenso orgulho do meu caminho. Independente do que vier, eu continuarei fazendo por merecer e agradecendo todos os dias. A cada segundo me torno mais-e-mais quem sonhei ser quando criança. E isso é a melhor coisa que alguém pode desejar. =)

À todos os envolvidos nos meus sorrisos e saudades diárias, obrigada. ❤

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3 comentários sobre “Bio.

  1. Lembrei de uma conversa que tivemos, que nem era sobre isso exatamente, e nesse dia eu nem estava do outro lado do mundo, que nem agora. Me deu um frio na barriga só de imaginar o que pode acontecer daqui pra frente. Muito sucesso pra você!

    • Ana Ono disse:

      Apenas aproveite cada momento sem pensar, Lari. Quando você menos perceber já terá uma caixinha lotada de grandes memórias de onde está. Muito sucesso para você também! 🙂

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