Ser lixo.

bad day

Ela era fechada, não deixava ninguém chegar perto. Ela parecia feliz, mas seu sorriso carregava a armadura de sua alma. Sempre foi magoada, machucada. As atitudes dos outros foram tornando-a cada dia mais triste, e mais fechada. Não abria seu coração à ninguém. E nas vezes que arriscou, sentiu tanta dor, que preferiu se fechar mais e para sempre.

Carregava o sorriso afim de afastar qualquer dor que pudesse acometer seu caminho. Um dia sentiu-se tão bem, porque afinal, não sentia nada. Não existia amor, mas pelo menos, não existia dor. Era melhor viver assim. Tudo estava em seu devido lugar.

Mas ela tinha olhos abertos e coração grande. Uma vida sem nada não era real. Então descobriu que sorria com motivo, sua armadura havia sumido. Esqueceu das dores e aceitou que finalmente estava verdadeiramente feliz. Não acreditava no que acontecia. Não acreditava que um amor tão grande poderia existir. Não acreditava na vida. Respirava, piscava… voltava. E mesmo assim, era real. Então abriu seu pobre coração remendado ao melhor sentimento já experimentado.

Seu peito foi rasgado, enganado, machucado, dilacerado. O pouco que ali um dia habitou, foi esmagado. Mas ela deveria saber que isso iria acontecer. Nunca abria seu coração. Deixar-se levar pela felicidade era indicação de que se importava mais do que acreditou.

E mais uma vez, ela deixou que a magoassem. Ela deixou que a fizessem chorar. Ela deixou a dor acontecer mesmo jurando nunca mais voltar para esse lugar.

Hoje, ela sente cada pedaço de seu imenso coração doer, ela torce para sumir e desaparecer com a dor.

Então chora, esfrega os olhos e respira fundo. Quando acorda não quer levantar, pois foi o algo mais real que já sentiu. Mas tudo nessa realidade dói.

Foi sincera: a fizeram chorar.

Foi amiga: a fizeram chorar.

Foi gentil: a fizeram chorar.

Ama, mas gostaria de voltar ao nada.

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho.

Em um mundo regido pela imagem e suas influências, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho nos mostra a importância dos sentimentos. Demonstra que a verdadeira constituição humana é a alma, o coração e o que o faz pulsar. 

Nossa sociedade acredita na cópia, acredita que somos influenciados pelo que vemos e nos cerca, principalmente na infância e adolescência. Contudo, Hoje Eu Quero Voltar Sozinho quebra esse paradigma e nos põe de frente aos verdadeiros sentimentos de um ser. 

Um adolescente cego, tem apenas como parâmetro o que ouve e sente. Na sua fragilidade, ele se deixa mais aberto ao próximo e se descobre apaixonado pelo novo amigo do colégio. Poderia ser um filme que levanta a bandeira homossexual e a defende. Mas é apenas uma demonstração de que somos o que nascemos, e devemos nos deixar sentir o que vier. 

Hoje Eu Quero Voltar Sozinho, é uma bonita e simples história sobre o primeiro amor. E todos devemos sair da caixinha apertada dessa sociedade retrógrada e deixarmos afetar por sua mensagem.

Parabéns Daniel Ribeiro.