This is the time of my life

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Era tanto trabalho e poucas horas de sono que ela esqueceu do resto da vida. Terminou um relacionamento, derramou 3 lágrimas e não se importou. Foi difícil, ela aceitou que o ama, mas não merece mais sofrer por amor. Se para ele é difícil, ela também não quer. A vida pessoal tem sido essa. Esse desapego estranho pelo outro, e trabalho. Muito trabalho. Suas séries estão atrasadas, sua leitura que já não estava em dia, só fica pior e empilhada ao lado da cama. Essa, que tem sido sua melhor amiga. Confortável, quentinha e cheirosa. A abriga para as melhores 4 horas de sono que um humano pode ter.

O trabalho não para, e ela gosta cada dia mais de não ter tempo livre para pensar no amor do qual desapegou. O momento agora é profissional, estabelecer a carreira. Então mais uma vez ela tentou o que já tinha conseguido e não pode usufruir. Era um sonho distante, quase impossível. Mas tentar nunca foi proibido, e se não tentar, jamais conseguirá.

Nas 2 semanas anteriores, ela dormiu 2 horas por noite e não as habituais 4. Levou bem, sempre pensando “só posso dormir quando terminar, no próximo domingo, posso dormir 8 horas!”. Escutando música, dançava se auto estimulando a continuar.

happenstance

Escrever, escrever, escrever…

Ela terminou o que precisava, enviou com dúvidas. Era simples, mas era de bom coração.

Então voltou a ter espaço apenas para o trabalho e eventuais imaginações sobre o futuro feliz que terá, enquanto escuta suas músicas favoritas no trem de volta para casa. Uma hora e meia, mas é uma hora e meia de músicas do coração e pensamentos felizes. É o único momento que tem sozinha. É o seu momento favorito do dia.

Na sexta-feira, cansada de uma quinta-feira cheia e cansativa, ela estava almoçando quando percebeu ter uma ligação perdida. Tocava “Time of your life” na rádio da padaria. O número perdido era estranho. Tinha uma voicemail. Escutou, chorou. Teve medo. Voltou para o seu computador e confirmou a mensagem. Ligou para a responsável, confirmou novamente. Chorou – Gritou – Pulou – Sorriu, o mais intensamente que podia. O ambiente de trabalho inteiro parou para felicitá-la enquanto gritava para todos sua felicidade.

O mundo parou, girou e a fez flutuar. Após tantas recusas na vida, tantas reprovações, o esperado era o de sempre: não. Mas um dia o desprendimento pela vida te leva mais longe. Um dia, o focar no hoje e deixar o acaso acontecer te faz ser alguém melhor, e te leva mais longe. Um dia, isso de ser apenas o que você é, te leva além.

Hoje, eu cruzei o arcoíris e achei o pote de ouro. Hoje, é o dia mais feliz da minha vida.

6 de setembro de 2013