If you want to be a writer, you have to write!

Você já pensou por que quer ser o que quer ser? Ou, por que você quer fazer o que quer fazer? Durante quase toda a minha vida, não precisei responder essas perguntas, nem para mim, nem para outras pessoas. Mas já me perguntaram o motivo de gostar de fotografia, e me indagaram sobre o fato de eu não querer viver especificamente dela. Talvez ninguém tenha me perguntado por eu ter feito cinema/tv. Quem não gosta de filmes, não é? Mas quem realmente sabe o que aprendemos na faculdade, ou que fazemos nas especializações que escolhemos? É… Não vem ao caso nesse momento.

O fato de ninguém ter feito essas perguntas, me fez realizar que talvez muitas pessoas achem que eu não quero nada, ou que eu sou louca, “ela muda de decisão toda hora”. Mas foi pensando na respostas que daria à quem me perguntasse, cheguei a conclusão que a declaração básica da minha vida é: “Eu sempre soube o que queria fazer. Eu fiz a única coisa que faria”, cada dia tem mais sustentação.

Eu escrevo, eu sempre escrevi. Mas eu quase nunca contei.

Em meio a vergonha e o medo de desaprovação e julgamentos, eu fui deixando minhas linhas de lado e comecei a me convencer que era melhor com as imagens. Porque minhas histórias eram idiotas, porque eu só sabia escrever narração no colégio e a dissertação deixava a desejar, então eu não sabia realmente escrever. Mesmo que a professora me dissesse que queria saber o resto da história e que minha personagem tinha sido muito bem descrita e poderia ir para frente, eu não sabia dissertação. Eu não sabia argumentar sobre a descatralização, então eu não sabia escrever. E isso claramente só aumentava em mim conforme minha vida acadêmica baseava-se em dissertações políticas, geográficas, ambientais… arg. O fato de algumas pessoas lerem meus diários com passagens de cenas que eu sempre imaginei também não ajudou, mas éramos adolescentes, o que sabíamos? Se era drama, se alguém morria ou tinha doença terminal, era trágico demais. Se era romance, se o casal estava apaixonado de verdade e acabava junto, era açucarado demais. Se tinha et’s, acontecimentos paranormais, fantasmas… era retardado demais. Porque eu tinha 15/16 anos e qualquer coisa que fizesse, não era digno de seriedade. Então minhas histórias ficavam cada dia mais escondidas nos meus vários caderninhos, e meus personagens presos entre as linhas.

Mas nós crescemos, a vida muda e a percepção das coisas também. Quando entrei na faculdade, descobri pessoas interessadas em ouvir minhas ideias e inclusive gostando de algumas. Contudo, a vergonha já estava séria, então poucas coisas conseguiam ser reveladas. Foi uma época em que eu tinha certeza que meu destino era contar histórias por imagens, com luz, na fotografia. E continuo contando histórias nas minha fotografias, mas elas são e precisam ser para mim. Não quero registrar algo apenas por registrar e pagar o aluguel. Fotografia precisa ter sua história reconhecida assim como escancaramos os pensamentos em livros e roteiros. Ela precisa ser desvendada, e sem isso, eu não quero.

Então com medo e com vergonha, me propus a contar a histórias dos outros, mas jamais me envolvi o bastante para dividir os mesmos sentimentos dos que escreveram. E o fato de não conseguir extravasar minhas ideias sobre aquilo, por medo de não ser aceita, só chutava meus caderninhos mais para o fundo da gaveta.

Depois de muita demora, eu resolvi que não conseguia mais ter vergonha das minhas histórias e sobre o meu tipo de narração. Alguém iria gostar, outros iriam odiar, mas era minha e eu ia fazer. Tive acompanhamento, aprovação e realização. Graduei-me como roteirista, produtora e diretora de um projeto o qual gosto muito. Terminei a faculdade decidida a nunca mais deixar o medo e a vergonha me empacar. Sobre o que eu quiser escrever, eu escrevo. Porque apenas eu preciso gostar das minhas histórias para poder me aprofundar nelas e criar o seu mundo, em que talvez, alguém mergulhe e descubra que também gosta e se identificar.

Não escolhi escrever do dia para noite. Não escolhi escrever porque vi a Drew Barrymore narrar alguns dos meus filmes preferidos. Não escolhi escrever porque quero ganhar dinheiro. Deixei de ter vergonha e aceitei que escrevo. Porque é assim que conto pro mundo as histórias que passam pela minha cabeça o tempo todo. E assim que eu me sinto feliz.

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