As saudades.

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O maior problema sobre o amor dentro de mim é a saudade. Junto ou separado, a saudade me perturba, me destrói e instiga a ansiedade que tenta me dominar. A saudade vem de diversas formas e com diferentes atribuições. Há tempos em que o mundo ao redor pode cair, e a saudade vai me sustentar. É a saudade que faz feliz por me lembrar do bom, do amor e da sorte que é amar profundamente e ter conhecido o amor que tira o chão, o amor que será apenas porque é. Mas há tempos que a saudade exige contato, exige dados, tato, cheiro. É a saudade cruel que angustia e tira toda a alegria que existe em mim porque ela precisa saber de algo, ela precisa de um sinal.

E quando essa saudade vem, os dias são difíceis. O ar parece acabar e o coração bate acelerado querendo fugir do peito. Nesses dias a luta interna para acalmar o coração e continuar a viver é difícil demais. Nesses dias eu preferia desaparecer e desligar tudo em mim.

A oscilação das saudades me destrói. Mas quando pondero sobre o que preferia estar vivendo, ainda fico com minhas dores, anseios e angustias. Porque no final, saber que você existe vale mais que qualquer calma.

É tão bom te amar…

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As mágoas e a saudade doem, mas nada super o quanto é bom te amar. Nada superar a felicidade da fé em te reencontrar. Nenhuma mágoa vai machucar mais que a alegria de lembrar do seu cheiro.

A vida separa, mas ela reúne. E um dia vamos cruzar o olhar e você vai entender que isso que em mim não passa, em você nunca sumiu. E que há motivos na saudades. Há carinhos nos sonhos e nas lembranças.

Eu tô aqui, devagar e sempre. Sorrindo pelas ruas quando o vento traz seu cheiro. Pois é melhor sofrer de saudades que jamais saber o que é realmente amar.

Eternamente: OBRIGADA POR EXISTIR.

Carta à Amy.

 

Nas últimas semanas voltei a escutar seu album “Back to black” e me senti tão próxima das suas dores. Entendo cada palavra que canta, cada verso que cortou seu coração. Eu sei que morreu se sentindo sozinha. Eu entendo que nenhum sucesso que alcançou conseguiu preencher seu coração como precisava. Mas sua memória me ajuda um pouco. As vezes em meio ao choro eu lembro que você existiu e da sua dor escreveu os mais áridos e honestos versos.

Porém, diferente de você, não afogo minhas dores existenciais em álcool ou drogas. Seria hipócrita tentar resolver meu vazio com algo que destrói tanto minha família. Não consigo me entorpecer sabendo que machucaria minha mãe. Houve tempos em que comia desesperadamente procurando um segundo de felicidade, mas até esse prazer momentâneo eu perdi. Perdi apetite, vontades e fé. Não enxergo a luz para me guiar, não encontro soluções, não há itens na lista de objetivos que queira muito realizar.

Eu quero paz.

Quero acordar tranquila e trabalhar com o que gosto. Quero dias cheios, quero vontade de me divertir mesmo cansada. Quero aproveitar o sol e sentir a brisa do anoitecer. Quero voltar a dançar na esteira do metrô e sorrir. Quero voltar pra casa e ouvir o silêncio, sentir o cheiro de limpo e abraçar quem amo.

Amor…

Eu também tenho um Blake. Ele chegou do nada e sem saber me salvou de mim. Ele me fez sorrir e feliz como nunca. Ele me tirou do chão e fez dos seus braços meu lugar preferido no mundo. Ele foi meu melhor amigo sem saber, foi meu porto seguro sem querer. Ele me fez. Então partiu sem tentar ser nós.

Meu Blake é minha pessoa preferida no mundo, é a saudade que ainda me arranca sorrisos. Ele é por quem agradeço todos os dias por existir, por ele existir.

Talvez você entenda, mas meu Blake é também a pessoa mais egoísta que já conheci. Tão preocupado consigo, ele magoa sem se preocupar. Porque pra ele, se os olhos não vêm o coração não sente. Pra ele o importante é apenas o aqui e agora. Apenas o que rola ali, naquele arredor. E se ele deixou, está resolvido. Então trata com silêncio as dores que lhe correspondem e julga os que sentem diferente. Meu Blake não tem compaixão, apenas tesão pelo que atravessa sua vida agora. Meu Blake não quer se preocupar com outros, pois acredita que suas angústias serão resolvidas escolhendo o que é fácil.

E minha dor de viver é acentuada por saber que é esse egoísmo que nos impede de conversar e rir juntos. É esse egoísmo que o impede de me contar quando lembra de mim, quando sente saudades, quando sonha com a gente. Porque quando esse egoísmo é momentaneamente esquecido, ele aparece e consegue me contar um pouco da vida, da saudades…. do coração.

Meu Blake tem muitas dúvidas no coração e não sabe escutá-las para resolver. Ele joga tudo de lado e segue tentando construir sentimentos novos achando que se de lado está, vazio está, e o novo irá surgir. O que o meu Blake não sabe é que o coração não esvazia, não esquece. E se lá está, lá fica. Um dia o bloqueio quebra e a saudade volta pra avisar que nada novo significa, pois a chance que ele não quis dar ainda está lá para lembrar do verdadeiro, do único. Meu Blake ainda precisa entender sobre o encontro de almas e não tentar evitá-lo.

Quis te escrever pra contar que suas dores ajudam a amenizar a dos outros. E que talvez você não soubesse disso. Entre wisky e crack a percepção deve ficar meio fora desse mundo. Então obrigada por cada letra, cada queda e cada decepção televisionada.

Nada foi em vão.

Espero que pra mim também não seja.

 

De uma amiga.

.limbo.

Conviver com uma doença crônica que afeta toda a minha vida e ações me fez por vezes desenvolver ótimas técnicas para me ajudar e controlar meus pensamentos. A mais importante é o bloqueio da morte. Durante um longo período eu achei que morrer resolveria tudo, mas quando comecei a enxergar minhas dores como problemas, como uma boa controladora de desastre eu achei soluções. Eu encontrei em listas de sonhos e objetivos todos os motivos que precisava para levantar e andar até o que precisava. E apesar de cair tantas vezes, eu nunca deixei de levantar e andar, levantar e andar…

Eu tinha motivos para me esforçar, tinha objetivos e tanta vontade de viver apesar da morte rodear meus pensamentos. Fui forte e me orgulho de ter conseguido tantas coisas pelas quais já sofri tanto ao visualizá-las tão longe da minha realidade.

Mas nada, absolutamente nada disso pode me ajudar agora. Sem perspectivas, desejos, ou sonhos palpáveis, eu estou mal e sem ferramentas que possam me ajudar.

Eu não quero nada, não tenho vontade de nada. Talvez o que eu mais queira seja dormir pra sempre. Mas quando os pesadelos me acordam eu imagino se até isso não está perdido.

Morrer é uma ideia óbvia pra quem deseja sumir e acabar com as dores, mas e se morrer for apenas um descolamento do material? E se morrer for apenas deixar o corpo, mas as dores acompanharem a alma? Se morrer não é garantia de resolução para toda essa infelicidade, então nem morrer mais eu quero.

E isso resulta em: nenhuma vontade de viver, porém tão pouco de morrer. Isso resulta no pior limbo que alguém pode estar.

I write about you everyday.

type us

Às vezes me sinto perturbada por todo esse amor que sinto por você, e a saudades dói. Pois lembro que esse amor tão presente, que é sempre tão forte, não está aqui.

Confio em nós sem pestanejar, mesmo sem saber o que realmente irá acontecer, acredito no encontro de almas. E nós já nos trombamos por ai.

Também sei que não é por agora que nossos caminhos voltarão a cruzar. Perdi-me de mim e estou a me buscar, assim como desconheço quem te tornou. Talvez o cosmos esteja esperando eu entender quem me tornei para poder te conhecer novamente.

Ou talvez, eu esteja esperando você me encontrar.

E do nada, um reencontro será apenas um encontro. Como se aquilo que passou fosse uma vida passada, e o agora seja novo, mas com a certeza que já nos amamos antes de saber que era amor.

Tão morta por dentro.

dead inside

Ela caminha por ai com os cabelo ao vento, o passo pesado e os olhar sem vida.

Ela não sabe por onde caminhar, mas continua andando. Quem sabe lá na frente encontre respostas.

Quem diria que Ela não saberia o que fazer?

Todos os dias é a mesma luta contra seu coração e sua intuição. Ela só quer morrer, mas deixar tudo agora significa perder a melhor parte lá na frente.

Esse caminho está tão longo, talvez o coração não aguente.

A vida não tem mais graça. Ele sugou toda alegria que havia nela.

Ele levou tudo. A alma, o coração e a vontade. Nada mais faz sentido.

Viver em um mundo em que até quem Ela ama é cruel, não vale a pena.

Então Ela está tentando construir um mundo dentro de si.

Quem sabe assim consiga levar mais um tempo por aqui.

 

Life works in some mysterious ways.

cute

O wordpress está aberto há quase 7 horas. Tudo o que quero dizer já foi escrito de várias formas e tons, mas tudo foi pro lixo. Já comentei que vivo uma fase de mudanças internas e a reflexão é constante. Tudo em mim está tão mutável que as ideias se confundem.

A fase é de mudança e o desejo é de estabilidade. Fiquei perturbada tentando conciliar os dois sentimentos, mas enfim encontrei o ponto de encontro. O que está mudando é o emocional e a visão sobre a vida. A estabilidade é sobre o cotidiano, é físico. É para poder internamente me encontrar.

Foi refletindo sobre alguém que amo e me preocupo muito, porém não está mais ao meu lado, que percebi que somos tão parecidos e conectados que estamos passando pelas mesmas mudanças. Mas um não lida bem com a do outro, um não CONSEGUE lidar com outra mudança, pois precisa cuidar de si.  ELE percebeu antes de mim e foi cuidar da alma da maneira que podia.

Entendi agora: é preciso deixar o ciclo fluir. Não há como acelerar ou retardar. No momento nada mais importa, é preciso cuidar de si e da alma. Mesmo que seja na simplicidade e apenas repousando.

Nessa vida moderna, capitalista e acelerada, somos instigados à procurar mudanças que nos levem sempre para frente o mais rápido possível. Contudo, é só quem já chegou na extremidade do fim do poço que sabe: as vezes, é melhor estar estagnado em uma situação confortável que sofrer tentando avançar. A luta do dia a dia é cansativa, e lidar com os próprios pensamentos e coração é difícil.

Então percebi que para no futuro conseguir avançar, agora preciso recuar. E isso se aplica a tudo. Eu preciso viver como antes com a experiência do agora. Apenas por um tempo até ter estabilidade emocional e força para enfrentar uma nova empreitada.

Sempre me orgulhei de ter certeza das coisas que quero na vida e focar em realizá-las. Mas o momento é do mantra que me trouxe até aqui viva e lutando pela felicidade. O momento é daquele episódio dos Ursinhos Carinhosos de onde tirei o maior ensinamento da vida. “Devagar e sempre”. E mais que nunca eu preciso ir… devagar e sempre.

Procurar um abrigo confortável para viver uma temporada, não significa deixar meus planos para trás. Significa que preciso de um cotidiano simples para respirar. E então, na calma continuar com os planos.

Foi reconfortante perceber minha própria vida com novos olhos. E foi calmante entender que ELE sacou isso antes. Eu preciso acalmar meu coração e me preparar. Não são todas as pessoas que conseguem correr sem pausar. Às vezes, tudo que precisamos é aquela paradinha pra respirar, tomar uma água e olhar bem pro caminho. Perceber tudo o que passou e agradecer. Respirar novamente e voltar para a rota caminhando para poder apreciar cada momento. O parar é necessário para mudar o olhar, o parar é preciso para ver o que realmente importa.

Nunca fui ingrata, muito pelo contrário. Sempre ressaltei a sorte de ser quem sou e ter quem tenho ao meu redor. Mas me faltava entender como e porquê certas coisas aconteceram na minha vida. E cada segundo entendo melhor o significado de GRATIDÃO.

E é por ser grata pela minha vida como ela é que preciso parar de correr agora. Sem mais análises e questionamentos. Apenas parar e protagonizar uma rotina simples, sem anseios ou ambições.

Eu preciso acalmar meu coração.